"Os espinhos que me feriram foram produzidos pelo arbusto que plantei."
Byron
Mariuza Pregnolato

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SOBRE ANSIEDADE


O que é a ansiedade e quais as sensações que ela provoca?

Dependendo da situação, pode provocar uma sensação de vaga excitação e urgência, como se estivéssemos na iminência de viver momentos muito estimulantes. Mas o mais comum, infelizmente, é ocorrer um desagradável desconforto e insegurança, provocados pela sensação de ameaça, como a antecipação de um perigo. É como situar-se fora do tempo, porque a pessoa não consegue concentrar-se no momento presente: ela sofre por algo que não está ocorrendo ainda e que não é certo que irá ocorrer no futuro. Sentir ansiedade é normal e faz parte da vida. Ela tornar-se-á patológica e merecedora de tratamento, porém, quando passar a ocorrer com muita freqüência ou intensidade, casos em que começa a interferir negativamente na performance da pessoa. Para piorar o quadro, ela pode produzir desagradáveis sintomas físicos (falta de ar, formigamento, tremor, instabilidade do humor, bloqueio mental, crise de choro, sudorese, desmaio, respiração curta ou acelerada, dor no peito, náusea, calafrios, espasmos e inúmeros outros desconfortos) e, se não tratada, evoluirá para graves transtornos e doenças. O ansioso dispende muito da sua energia nesse estado, razão pela qual não lhe restam recursos suficientes para concentrar-se adequadamente nas tarefas que tem que cumprir.

Como driblar a ansiedade?

Várias estratégias podem ser desenvolvidas pelas pessoas para driblar a ansiedade, através de um trabalho de auto-conhecimento, e é muito saudável que cada um elabore as suas próprias, a partir de recursos extraídos de seu repertório interno porque o que funciona para uns pode gerar mais ansiedade em outros por não saberem como fazer uso dos procedimentos. Mas há dicas gerais que podem beneficiar a todos, que vão desde técnicas de relaxamento e/ou meditação até programas de condicionamento comportamental.

Existem práticas ou exercícios específicos para serem realizados exatamente na hora “H”?

Sim. Exercícios muito simples e fáceis de aprender podem ser realizados nesses momentos e são bastante efetivos para reduzir o grau de ansiedade. A pessoa pode começar tomando consciência do próprio corpo, procurando sentir os pés firmes no chão, bem como o contorno do seu corpo, tomando consciência dos pontos de contato com estruturas fixas (por exemplo, se está sentada, sentir o apoio dos quadris e dos braços da cadeira, etc.), corrigindo sua postura e tornando-a firme e ereta. Paralelamente, deve observar a própria respiração, sem forçá-la, apenas levando-a a tornar-se tranqüila, com expirações levemente mais longas que a inspiração. Esse pequeno exercício, uma vez adequadamente aprendido, torna-se suficiente para baixar a ansiedade e permitir que o passo seguinte seja dado: concentrar-se na situação presente com serenidade, para ser capaz de avaliar as circunstâncias em que se encontra de forma realista e objetiva. Uma vez tranqüila e focada no seu objetivo, a pessoa é capaz de acessar seus recursos internos e elaborar estratégias adequadas para enfrentar o problema à sua frente. Sem o controle sobre a ansiedade, perde-se a capacidade de raciocinar adequadamente e discernir com clareza.

Por que sentimos ansiedade e qual a sua função no organismo?

Existe a ansiedade generalizada, abstrata, que permeia a vida das pessoas de forma indiscriminada e não necessariamente relacionada a algum fator externo que a desencadeie. Trata-se de um estado que tem sua origem na própria história de vida da pessoa, no seu sistema de crenças e valores, bem como com um padrão comportamental adotado que, no momento, tornou-se disfuncional e precisa ser revisto. É preciso vencer o sentimento de insegurança, aumentando a auto-estima e desenvolvendo a autoconfiança. Para isso é preciso conhecer-se bem e aprender a lidar com as próprias dificuldades e recursos que, é sempre bom repetir, todos nós trazemos dentro de nós.

Já a ansiedade provocada por um fator externo é benéfica, é saudável. Ela nos ajuda a tomar consciência de que algo importante está para ocorrer em nossas vidas e oferece motivação para manter-nos num estado de especial cuidado para o seu enfrentamento. Se estivermos diante de um perigo, é graças a ela que estaremos em alerta para nos defender ou fugir. Se tratar-se da iminência de um evento importante, como uma entrevista para um emprego muito desejado, por exemplo, também nos sugere cuidados e poderá ser atenuada com um preparo adequado para a situação que já sabemos que iremos viver. Essa é uma situação muito importante e comum na vida das pessoas e, na minha experiência clínica, tenho sido repetidamente solicitada a oferecer orientação para contornar o problema.

Por que precisamos aprender a lidar com a ansiedade?

É muito importante aprender a lidar com a ansiedade a fim de que, ao mesmo tempo em que utilizamos seu potencial positivo em nosso favor, neutralizemos seus terríveis efeitos negativos, que podem ser nefastos, impedindo-nos de desenvolver e realizar nossas potencialidades físicas e psicológicas: uma ansiedade descontrolada sabota nossa capacidade intelectual, priva-nos de nossos melhores recursos emocionais e intuitivos e dificulta até a articulação verbal, o senso de humor e a presença de espírito; reduz a capacidade de avaliação objetiva, afeta a memória, enfim, pode transformar num desastre o desempenho de uma pessoa talentosa e capaz.

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